Agência Panafricana de Notícias

Homens armados violam crianças no Sudão, diz UNICEF

Nova Iorque, Estados Unidos (PANA) - Homens armados violam e agridem sexualmente crianças, incluindo as de peito com apenas um ano de idade, no quadro do conflito que impera no Sudão, denunciou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Segundo dados compilados por fornecedores de serviços de luta contra a violência sexista no Soudão, que revelam um cenário comovente da crise na qual crianças estão vulneráveis, lê-se num comunicado do UNICEF publicado terça-feira última.  

O documento menciona 221 casos de violação sexual registados desde o início do ano de 2024,  dos quais 147 são raparigas, ou seja 66 por cento das vítimas,

Os sobreviventes e as suas famílias estão muitas as vezes reticentes  ou incapazes de se expressar por causa de dificuldades de acesso aos serviços e aos trabalhadores de primeira linha, lamenta o UNICEF.

Também constam destas causas o medo da estigmatização que eles possam sofrer, o medo de serem rejeitados pelas suas respetivas famílias ou comunidades, o medo de represálias por parte dos grupos armados ou o medo da violação de confidencialidade, segundo a mesma fonte.

“A violação de crianças de apenas um ano de idade por homens armados deve chocar qualquer um e carece de facto de uma ação imediata”, indignou-se a diretora-geral do UNICEF, Catherine Russell, citado no comunicado. 

“Milhões de crianças no Sudão correm o risco de ser vítimas de violações e outras formas de violência sexual, utilizadas como tática de guerra. Trata-se de uma violação odiosa do direito internacional que poderá constituir um crime de guerra. Épreciso que isto cesse”, martelou

Segundo o UNICEF, a realidade brutal desta onda de violência e o medo de ser vítima levam mulheres e raparigas a abandonarem as suas casas e fugirem para outros locais onde se concentram em campos de deslocados informais ou em comunidades que dispõem de poucos recursos para as acolherem.

Nestes locais, o risco de violência sexual é igualmente elevado, em particular contra crianças deslocados no interior do país, lamenta o organismo das Nações Unidas.

Estes atos, cujo impacto é imenso mas escondido, pode ter consequência negativas desmedidas e duradours, nomeadamente um traumatismo psichológico importante, um isolamento forçado ou uma rejeição pela família, devido à estigmatização social, gravidezes indesejáveis e infeções sexualmente transmissíveis, ferimentos graves e outras complicações, enumera o documento.

Todavia, o UNICEF diz trabalhar em parceria para criar espaços seguros e oferecer serviços de luta contra a violência sexista feitas aos sobreviventes, a fim de integrar estes serviços em centros de saúde e clíbnicas móveis, fornecendo  apetrechos médicos necessários.

Russell apelou as partes em conflito, e as que as influenciem, para tudo fazerem a fim de pôr fim a estas graves violações cometidas contra crianças, frisando que "as cicatrizes da guerras são incomensuráveis e duradouras.". 

O UNICEF exige do Governo do Sudão e de todas as partes envolvidas no conflito para respeitarem as obrlgações que lhes incumbem em virtude do direito internacional humanitário e dos direitos humanos com vista a proteger civis, em particular crianças, e porem fim à violência sexista, incluindo a sexual enquanto tática de guerra.

Acrescentou que trabalhadores humanitários devem estar em condições de dar, com toda segurança, ajuda e servços de que precisão famílias necessitosas.

Neste quadro de decisões de financiamento, doadores devem, consideram programas de luta contra viollência feita a mulheres como meio de salvar vidas.

Iniciado a 15 de abril de 2023, a guerra do Sudão opõe as Forças Armadas Sudanesas (FAS) às Forças Paramilitares de Apoio Rápido (La guerre du Soudan oppose les Forces armées soudanaises (FAS) aux Forces de Apoio Rápidos (FSR), paramilitares rebeldes.

Cerca de 12 milhões de pessoas abandonaram as suas casas  para encontrarem refúgios no interior do Sudão ou nos paises vizinhos. 

-0- PANA MA/NFB/JSG/SOC/DD 04março2025