Agência Panafricana de Notícias

Europa cria organismo comum face a atrocidades cometidas no Sudão

Porto Sudão, Sudão (PANA) - Um organismo comum europeu acabou de nascer com a incumbência de tomar medidas concretas face às atrocidades cometidas pelas Forças de Apoio Rápido (RSF, sigla em inglês), soube a PANA de fonte oficial.

O anúncio foi feito pelos membros do Grupo Central sobre o Sudão, que reúne os ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, da Irlanda, dos Países Baixos, da Noruega e do Reino Unidos, determinados a enfrentar as RSF, uma milícia paramilitar que apoquenta os civis em Darfur (oeste sudanês) e no Sudão em geral.
 

Numa declaração comum, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países supracitados exprimiram, perante o Conselho dos Direitos Humanos, a sua “indignação coletiva e a sua profunda tristeza” face às conclusões do relatório duma missão de inquérito sobre El Fasher (a capital de Darfur).

Sublinharam que este relatório “menciona atos hediondos cometidos pelas RSF durante o cerco de 18 meses a que foi submetido El Fasher, e durante o qual as vias de abastecimento de alimentos e humanitárias foram sistematicamente bloqueadas, e mercados atacados.”

Denunciaram ataques contra estabelecimentos sanitários e infraestruturas essenciais, bem como armadilhas arrumadas contra civis a fim de os impedir de escaparem,

As condições de vida tornaram-se tão difíceis que os habitantes esfomeados foram constrangidos a comer alimentos para animais a fim de sobreviverem, de acordo com o mesmo texto.

Os diplomatas europeus acrescentaram que o relatório deu ainda ênfase a uma ofensiva final em El Fasher, durante a qual elementos das RSF executaram civis em toda a cidade e transformaram a Universidade de El Fasher e o Hospital El-Saudi (local) em locais de exterminação massiva.

Testemunhas denunciaram ameaças como “vamos exterminá-los”, proferidas pelos milicianos. 

Disseram igualmente ter visto mulheres grávidas levarem tiro nas suas barrigas.

Civis foram massacrados quando tentavam fugir da cidade, revelou o documento, com base em testemunhos chocantes de mulheres e meninas vítimas de atos de violência sexual e sexistas horríveis, incluindo violações coletivas, ou seja, vários indivíduos a violarem alternadamente uma mulher ou menina.

Segundo o Grupo,  o relatório da missão de inquérito expõe violências horríveis contra principalmente as comunidades Fur e Zaghawa, no quadro daquilo que a FFM considerou como uma “tentativa deliberada de provocar a destruição física parcial ou global” destas comunidades.

Concluíndo, citou a FFM (Missão de Busca de Factos no Sudão) que avançou que as violências cometidas pelas RSF em El Fasher constituem crimes de guerra e crimes contra a humanidade, “com marcas de genocídio”.

Acrescentou que o Tribunal Penal Internacional (TPI) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos estão ao corrente destas atrocidades cometidas em El Fasher.
 

Alertou que há elevados riscos da ocorrência de novos atos de violência genocidas na mesma região.

“Nós, a comunidade internacional, devemos redobrar os esforços para impedirmos as atrocidades cometidas em El Fasher de se repetirem”, exortou o Grupo Central sobre o Sudão, apelando às partes em conflito no país para respeitarem as suas obrigações em virtude do direito internacional humanitário e dos direitos humanos.

Implorou a todos os Estados para examinarem atentamente as recomendações importantes contidas no relatório.

“Os civis devem ser protegidos, o embargo sobre as armas infligido pela ONU (Organização das Nações Unidas) deve ser estendido e aplicado. As restrições no acesso humanitário e aos mecanismos de responsabilidade devem cessar”, lê-se no mesmo documento, defendido pelos chefes da diplomacia dos países europeus acima referenciados.

Felicitaram a FFM pelo seu trabalho essencial que permitiu revelar estes horrores perpertrados em El Fasher e não só, frisando que "a amplitude e a depravação dos horrores descritos devem chocar cada um de nós."

Expressaram a sua “solidariedade profunda e duradoura” com as vítimas destes males no Sudão, apelando às partes beligerantes para decidirem por um cessar-fogo imediato e duradouro, para permitir uma acesso humanitário sem entraves, pôr fim à violação do direito internacional humanitário e garantir a proteção dos civis.

“Este relatório é um apelo à ação. Em resposta, o Grupo Central sobre o Sudão anuncia já a sua intenção de criar uma coligação de Estados e instituições regionais que partilhem as mesmas ideias e que se comprometam a trabalhar juntos a fim de prevenirem novas atrocidades no Sudão e ajudarem o povo sudanês a lançar bases de uma eventual justiça. já é demais”, indignaram-se.

 -0- PANA MO/RA/BAI/IS/DD 26fev2026