Conferência de Berlim promete mais de $ 1.500.000.000 para Sudão
Berlim, Alemanha (PANA) – Países doadores prometeram mais de mil milhões e quinhentos mil (1,500.000.000) de dólares americanos de ajuda humanitária para enfrentarem a crise resultante da guerra prevalecente no Sudão, soube a PANA de fonte oficial.
A promessa foi feita quarta-feira última em Berlim, na Alemanha, por ministros dos Negócios Estrangeiros do mundo inteiro, entre outras entidades, durante a terceira conferência internacional sobre o Sudão, devastado pela guerra há três anos, segundo a mesma fonte.
Segundo a Organização das Nações Unidas e seus parceiros, são precisos dois mil milhões e 200 mil (2,200.000.000) dólares americanos para ajudar, este ano, 14 milhões de pessoas no Sudão, no quadro de um objetivo global de 20 mil milhões de dólares americanos.
Em Berlim, altos responsáveis da ONU pronunciaram-se sobre a crise humanitária no Sudão.
O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, afirmou que “o Sudão é um laboratório de atrocidades", mencionando as cercas de cidades como El Fasher, em Darfur (conturbada região ocidental do país), a negação de alimentos às populações, o recurso à violência sexual como arma de guerra e ataques a escolas e hospitais.
“Drones mataram 700 pessoas só este ano, e 130 trabalhadores humanitários pereceram em três anos ”, indignou-se.
Por sua vez, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, agradeceu à comunidade internacional por se ter mais uma vez mobilizado por solidariedade para com o povo sudanês.
“Este pesadelo deve acabar", martelou numa mensagem vídeo, frisando que isto exige unidade e urgência."
A seu ver, só o financiamento nãopode substituir a paz. Um cessar-fogo imediato é essencial. As ingerências externas e o fluxo de armas que fomentam a guerra devem cessar definitivamente.
Defendeu que uma via credível deve abrir-se para um processo político inclusivo, dirigido pelos civis, devendo o mesmo refletir as aspirações do povo sudanês.
Do seu lado, o alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, advogou “uma ação conjunta urgente necessária” para que os responsáveis por estes crimes prestem contas.
No seu entender, esta é o único meio de pôr fim atos de violência e impedir novas atrocidades.
Türk declarou que “por trás desta destrução no Sudão, se esconde um rede complexa de interesses estratégicos e económicos, e enormos proveitos.”
Os beligerantes exploram ouro, gado e boracha arábica do país a fim de financiar a sua guerra, ao passo que potências externas fornecessem sistemas de armamento sofisticados e financiamentos, prosseguindo os seus próprios objetivos, denunciou.
Exortou finalmente a todos os países a respeitare, plenamento o embargo sobre as armas em Darfur, pondo assim fim às transferências de armas e informando o Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre a situação geral no Sudão.
Co-organizada pela Alemagne, pela França, pelo Reino Unido, pelos Estados Unidos, pela União Africana e pela União Europeia, o fórum agrupou governantes de 55 países e representantes de organizações internacionais e sudanesas a fim de darem o seu apoio ao Sudão, onde o conflito armado brutal entra no seu quarto ano, aumentando as necessidades humanitárias.
Ausente do encontro, o Governo sudanês criticou-o, afirmando que os seus organizadores lhe tinham retirado o convite intencionalmente.
Num comunicado, o Ministério sudanês dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional declarou-se "surpreso que esta decisão, apresentada como uma preocupação humanitária, tenha sido tomada sem consulta nem coordenação, muito menos um convite para o Governo sudanês.
De facto, a guerra eclodiu há exatamente três meses, dia após dia, entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF, sigla em inglês) e os seus ex-aliados, as Forças de Apoio Rápido (RSF, sigla em inglês), causando as piores crises humanitárias e deslocações da população no mundo.
Cerca de 34 milhões de pessoas, ou seja os dois terços da população do país, precisam de uma ajuda humanitária, enquanto cerca de 14 milhões de outras foram deslocadas e 19 milhões estão famintas, além de perto de 10 milhões de crianças descolarizadas, segundo dados oficias.
-0- PANA MA/NFB/JSG/DD 16abril2026

