Bujumbura, Burundi (PANA) - O Burundo comemora esta segunda-feira o 32.º aniversário do desaparecimento brutal do ex-Presidente burundês, Cyprien Ntaryamira, morto ao lado do seu homólogo rwandês, Juvenal Habyarimana, num atentado contra o seu avião ocorrido a 6 de abril de 1994, soube a PANA de fonte oficial.
Morreram igualmente três membros e ministros e vários colaboradores dos dois estadistas que estavam a bordo do mesmo avião, de tipo Falcon 50, abatido no espaço aéreo rwandês, precisamente em cima de Kigali, a capital rwandesa.
Duas investigações judiciais francesas deram conclusões antagónicas, sem que um processo real tivesse lugar.
No momento dos factos, os dois estadistas regressavam de uma cimeira realizada na vizinha Tanzânia, sobre a situação securitária preocupante em África, sobretudo no Burundi e no Rwanda, de acordo com a fonte.
Mais de três décadas depois, persistem ainda várias zonas cinzentas, nomeadamente o motivo que levou Ntaryamira a renunciar ao voo que o tinha transportado na ida, para se juntar ao seu homólogo Habyarimana, no voo de Falcon 5.
Também continua sombrio o neixo presumível entre o atentado contra os dois Presidentes, ambos de etnia Hutu (tribo maioritária nos dois países) e o genocídio que se seguiu contra os Tutsi (tribo minoritária) do Rwanda.
Nessa altura, o Rwanda fazia face a uma rebelião Tutsi, protagonizada pela Frente Patriótica Rwandesa (FPR), então dirigida por Paul Kagame, atual chefe do Estado rwandês.
Um relatório batizado “Rapport (relatório) Bruguière”, do nome do então juíz anti-terrorista francês, Jean Louis Bruguière, que investigava o caso, pôs diretamente em causa a FPR, mas os novos dirigentes rwandeses rejeitaram-no.
O mesmo juíz emitiu mandados de captura contra nove próximos colaboradores de Kagame, o que levou o Rwanda a romper, a 24 de novembro de 2006, as relações diplomáticas com a França.
Dois outros juizes franceses, Marc Trévidic e Nathalie Poux, contradisseram Bruguière, condenando extremistas Hutu opostos aos acordos de cessar-fogo entre a FPR e o regime do Presidente Habyarimana, então em causa.
As últimas investigações francesas foram encerradas por uma improcedência, em 2022, confirmada em apelo em 2023.
Desde então, nenhuma investigação oficial não foi aberta até à data no Burundi sobre a morte de Cyprien Ntaryamira, três meses após a sua investidura.
Ele tinha sido designado pelo Parlamento para suceder ao Presidente Melchior Ndadaye, assassinado em outubro de 1993, num golpe de Estado militar, apenas três meses depois de eleito democraticamente à frente do Burundi. Foi o primeiro a ser eleito democraticamente no país.
Uma década de guerra civil resultou desse assassinato, que fez pelo menos 300.000 mortos e levou ao exílio mais de um milhão de pessoas, segundo as Nações Unidas.
Contrariamente ao Burundi, o regime rwandês não organiza cerimónias oficiais em memóiria de Juvenal Habyarimana, preferindo em contrapartida reservar a data de 7 de abril às comemorações do genocídio contra os Tutsi, que fez mais de 800 mil mortos.
Quanto às relações bilaterais, o entendimento que prevalecia entre o Burundi e o Rwanda, nos anos de 1990, contrasta com as tensões atuais entre os dois países, marcadas por acusações recíprocas de desestabilizalão e um encerramento das fronteiras comuns desde janeiro de 2024.
-0- PANA FB/JSG/DD 06abril2026